Desde o dia 15 de abril, os bispos do Brasil estão reunidos em Aparecida, para a Assembleia Geral, na qual discutem e avaliam os novos rumos da evangelização da Igreja no país. Neste ano, o encontro possui um caráter especial, pois os bispos se dedicam à análise e aprovação das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. A assembleia segue até o próximo dia 24 de abril.

Realizada anualmente, a assembleia reúne os bispos em momentos de escuta, reflexão e debate sobre temas relevantes para a vida e a missão da Igreja. Em 2026, os trabalhos concentram-se na votação e avaliação da nova edição das Diretrizes, consideradas como um verdadeiro “plano pastoral nacional”. A elaboração desse documento ocorre ao longo de quase quatro anos e resulta de um amplo processo de escuta, que envolve toda a Igreja no Brasil. A partir de suas realidades, dioceses e comunidades apresentam contribuições que auxiliam na identificação dos principais desafios pastorais. Leigos e religiosos também participam da assembleia, colaborando com reflexões e propostas.
O processo de construção do novo documento teve início em 2022, com a escuta do Povo de Deus e a coleta de sugestões provenientes das diversas dioceses, organizadas em várias etapas. Após essa fase, o texto passou por revisões realizadas por uma equipe de especialistas e bispos, até chegar à versão final submetida à apreciação e votação do episcopado. O documento apresenta forte influência do pontificado do Papa Francisco, especialmente a partir do Sínodo sobre a Sinodalidade, além de elementos do pontificado do Papa Leão XIV.
A programação da assembleia inclui momentos de oração, retiro espiritual, adoração, celebrações eucarísticas, sessões de estudo e discussão do documento, além de momentos de convivência fraterna.

Na abertura dos trabalhos, o Papa Leão XIV enviou uma mensagem aos bispos, manifestando o desejo de que a assembleia seja vivida em um ambiente “de paz e de harmonia, onde se preserve a unidade da fé no Cristo Ressuscitado e a plena comunhão eclesial”. O pontífice também destacou sua satisfação com o acordo celebrado entre o Brasil e a Santa Sé, bem como com o diálogo mantido com as autoridades civis. Ao final, convidou todos a se unirem em oração, pedindo a intercessão de Maria, invocada como Regina Pacis, para que o mundo volte a viver em paz.
O cardeal Pierbattista Pizzaballa também enviou uma mensagem aos bispos, uma vez que não pôde estar presente para conduzir o retiro espiritual. Em sua comunicação, expressou proximidade espiritual e reforçou o apelo à oração pela paz, especialmente na Terra Santa e nas regiões marcadas por conflitos.
Durante a assembleia, os bispos realizam análises da conjuntura social e eclesial, etapa fundamental para a construção e avaliação das novas Diretrizes. Além disso, estudam outros documentos importantes, como os textos sobre a Pastoral Afro-Brasileira (85), “A Igreja e as Comunidades Quilombolas” (105) e o Projeto Igrejas-Irmãs (117).
No decorrer dos trabalhos, foi eleito o novo presidente da Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso: Dom Adolfo Weber, que exercerá a função até o fim do quadriênio 2023–2027.

Os bispos também trabalham na elaboração de três mensagens: uma dirigida ao Papa Leão XIV, outra sobre o Sínodo da Sinodalidade e uma terceira destinada a todo o Povo de Deus. Entre os temas em pauta, destaca-se ainda a proposta de inclusão da memória de Carlo Acutis no calendário litúrgico da Igreja no Brasil.