Voz do pastor

Mensagem de Dom Francisco de Assis para o Tempo Litúrgico da Quaresma

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Ao clero diocesano, diácono, religiosas, leigos e seminaristas

Quaresma: abençoado Tempo que nos prepara para a Ressurreição.

 

Queridos irmãos e irmãs,

Quaresma é caminhar. Portanto, não pode ficar parado aquele que crê e busca a misericórdia no Senhor. Em sua infinita compaixão e bondade, Deus nos exorta à conversão; porém já convertidos a Cristo pelo Batismo, somos cristãos; é oportuna a pergunta: “em que preciso melhorar? ” Quaresma, embora dentro de um tempo de 40 dias, é mais que isso, é um itinerário espiritual para a celebração da Ressureição do Senhor.

Quaresma é convite à revisão de vida para firmar o passo na direção do Senhor. O profeta Joel diz em alto e bom som: “rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo.” (Jl 2,13). Para alcançar a Graça é preciso esforço. Nos lembremos de Zaqueu que querendo “ver” Jesus, saiu “correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-lo, porque por ali havia de passar.”(Lc 19,4).

Quaresma é um tempo de esforço, melhor dizer um tempo de exercício da mortificação da carne para alcançar o espírito. “Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura.” (Fl 3,20-21). Paulo Apóstolo nos ensina; ele que fez de sua vida uma quaresma para a ressurreição, para a configuração de si ao Cristo, aquele que se fez “sacrifício por nós”.

O Tempo quaresmal nos obriga à oração, ao jejum e à esmola. É preciso permanecer na presença do Senhor e na oração ouvir a Sua vontade para cada um de nós. Para isso, deve-se qualificar melhor o tempo cronológico, recitar a Liturgia das Horas, meditar os mistérios do Rosário, permanecer em sintonia orante com Deus. A oração é atitude que enobrece o espirito, nos dá ânimo para a missão e nos faz resplandecer o amor misericordioso do Senhor. O jejum nos sensibiliza diante das necessidades de fé, de pão e de afeto de muitos que estão, em muitas vezes, perto de nós. Por fim, a esmola como oferta de si mesmo e do que é seu, para os desprovidos de quase tudo, numa sociedade desigual.

Quaresma, na Igreja do Brasil, numa apresentação feita pela CNBB, é tempo da Campanha da Fraternidade. O Evangelho de Jesus Cristo e a realidade atual são mais que suficientes para nos aproximar da CF 2018: “ Fraternidade e superação da violência”. Lema: “Em Cristo somos todos irmãos” (Mt 23,8). Portanto, mobilizemos em nossa diocese os grupos de reflexão e oração dessa temática, exortemos aos leigos que nos ajudem a enxergar as faces da violência que trazem tanto sofrimento, alarguemos nosso olhar para além da estatística oficial de Governo que, por si, é alarmante. No Brasil 60 mil pessoas são assassinadas por ano; negros, pobres e jovens são as maiores vítimas. Além disso, existe violência discriminatória que gera intolerância religiosa, social e de gênero. Violência mascarada contra a mulher, contra as crianças, idosos e doentes. Também existe a violência descarada da corrupção, dos conchavos, da política mesquinha de grupos que defendem os próprios interesses financeiros, deixando de lado a Política como ação para o bem de todos. É importante lembrar que os desvios de recursos públicos tiram a moradia, a educação e até o remédio para o combate das doenças dos mais pobres. Isso é violência contra o Direito de todos os contribuintes que fazem o erário público.

A Quaresma nos convida a um novo olhar para a vida em sociedade. A violência da grande mídia, aliada às empresas multinacionais e a grupos políticos, manipula, entorpece e aliena o cidadão. No Brasil está instalada uma grande confusão. O que é bom para eles, nem sempre é bom para o povo, para o contribuinte de menor poder aquisitivo e para o trabalhador. Os políticos querem reformar o Estado Brasileiro. Quem com consciência político-cidadã, acredita que esse Congresso Nacional pode fazer Reformas para beneficiar os mais vulneráveis? Estas Reformas propostas violentam o estado de direito da Constituição Brasileira: “todos são iguais perante a lei! ”

Outrossim, é a violência fantasiada. Há mecanismos bem articulados em laboratórios e ilhas de edição dos meios de comunicação que fabricam ídolos sem personalidade, sem compromisso com a sociedade. Na realidade ídolos do mercado da música, das ideologias vinculadas ao liberalismo sexual, ídolos dos programas televisivos que enchem e colorem as salas das famílias, nem sempre preparadas para lidar com essa imposição que massifica e liquefaz princípios norteadores da religião, da família, da escola e da organização social por direitos para todos.

Em vigília quaresmal, a Diocese de Campo Maior em sua ação pastoral, permanecerá atenta para que possamos, também em parcerias com instâncias sociais e de poder público, debater e encontrar saídas para superação da violência na região. Em âmbito eclesial, apoiaremos as iniciativas do Lar da Criança Dom Abel, incentivaremos as ações da Pastoral da Criança, os trabalhos da Pastoral do Menor- Pamen, dentre outras atividades.

Há muito o que fazer. Por isso, convido a todos a permanecer “Alegres na Esperança”, vivendo com intensa fé e real compromisso emanados da Quaresma, como acima dito, caminho de discernimento para que, discípulos(as)-missionários(as) de Cristo sejam “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13), sujeitos na “Igreja em saída”, a serviço do Reino.

Que vos acompanhe a bênção do Senhor!

Campo Maior, 14 de Fevereiro de 2018

Quarta-feira de Cinzas e Abertura da CF 2018

 

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