Da Diocese Voz do pastor

Mensagem de Dom Francisco aos fiéis da Diocese de Campo Maior para a Quaresma de 2020

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Mensagem ao Povo de Deus na Diocese de Campo Maior Na Quaresma de 2020, Quarta-feira de Cinzas

“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”. (Lc 10,33)

5 de abril Coleta Nacional da Solidariedade

Domingos de Ramos

“No amor e na fé encontraremos as forças necessárias para a nossa missão.” Santa Dulce dos Pobres

Ao clero diocesano, aos seminaristas, aos evangelizadores nas pastorais, a todo o povo de Deus da nossa Diocese e à Vida religiosa,

A Igreja nos convida para que armemos nossa tenda e, vigilantes, permaneçamos com Nosso Senhor Jesus Cristo neste caminho quaresmal. Permanecer com Ele para que a riqueza espiritual deste Tempo litúrgico nos leve a experimentar a alegria do discipulado na missão diária em nossa diocese, paróquias e comunidades.

A Quaresma é um Tempo propício para estar com Jesus e permitir que a Palavra d’Ele chegue ao coração e faça brotar o permanente desejo de conversão e de serviço á Igreja na pessoa dos irmãos e irmãs, principalmente dos mais necessitados, a exemplo de Santa Dulce dos Pobres que fez da vida dela uma missão diária em favor dos empobrecidos. Nesta Quaresma nossa querida Santa é referencial para despertar em cada católico o desejo de santidade, a força para preservar e a alegria de servir à vida, amando a todos, sem distinção.

Neste Tempo da Quaresma pratiquemos o exercício das obras de misericórdia espirituais e corporais pois são caminhos de conversão pessoal. Dentre as obras espirituais, a oração, a correção fraterna e o perdão. Faz-se necessário que o católico busque a confissão sacramental para receber o perdão de Deus, o dom de perdoar e a superação dos desafios à santidade em nossos dias. Nas obras corporais, somos exortados ao exercício da caridade e da solidariedade fraterna. Nelas, a Igreja do Brasil, na orientação da CNBB, insere a Campanha da Fraternidade como exortação para a vivência da caridade cristã.

“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” é o lema inspirado na parábola do Bom Samaritano para responder a pergunta que fora feita a Jesus: “Quem é o meu próximo?” A compaixão é a chave de leitura que possibilita rezar, meditar e discernir em comunidade e em grupos pastorais o lema da CF ‘Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso”.

Em todo o Tempo quaresmal destaquemos o cuidado e a disciplina com nossos momentos de oração pessoal e comunitário. O Papa Francisco fala que na Quaresma é preciso diálogo coração a coração, amigo a amigo. A oração antes de ser um dever, expressa a necessidade de corresponder ao amor de Deus, que sempre nos precede e sustenta. Ainda em sua recente mensagem o Papa enfatiza que “a oração poderá assumir formas diferentes, mas o que conta verdadeiramente aos olhos de Deus é que ela escave dentro de cada um de nós, chegando a romper a dureza do nosso coração, para o converter cada vez mais a Ele e à sua vontade. Quanto mais nos deixarmos envolver pela sua Palavra, tanto mais conseguiremos experimentar a sua misericórdia gratuita por nós.”

No atual cenário de indiferença diante dos irmãos e irmãs caídos à beira dos caminhos, vítimas da lógica excludente do mercado global e nacional, da ausência de políticas públicas, da intolerância, da nossa pressa diária que impossibilita avistar, parar e socorrer, enfim… “Não obstante a presença do mal, por vezes até dramática, tanto na nossa existência quanto na vida da Igreja e do mundo, este período que nos é oferecido para uma mudança de rumo manifesta a vontade tenaz de Deus de não interromper o diálogo de salvação conosco”, nos motiva o santo padre.

Encarecidamente peço ao clero que estimule os fiéis à vivência quaresmal dando ênfase às obras de misericórdia e nelas inserindo como um propósito a reunião de estudo e oração da CF 2020. Com pouco esforço é possível formar grupos de famílias, ruas ou grupos pastorais para intensificar a vivência quaresmal, numa ação conjunta de evangelização; para isso usemos a cartilha da Campanha da Fraternidade.

Queridos irmãos e irmãs, é da nossa inteira responsabilidade na ação evangelizadora levar nossos irmãos católicos a uma maior compreensão e vivência matura da fé e dos ensinamentos da Igreja. A conversão eclesial a que tanto clamamos depende da conversão pessoal, inclusive para a caridade, como exercício da compaixão. “Viu, sentiu compaixão e cuidou” (Lc 10,33). Modelo de Dom e Compromisso é nos apresentado pelo Anjo Bom do Brasil, Santa Dulce dos Pobres, que nos motiva para a caridade quaresmal ao dizer que “aquele que bate à nossa porta é um outro Cristo que nos procura”.

+ Dom Francisco de Assis

Bispo diocesano

Campo Maior, 26 de fevereiro de 2020

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