Da Diocese Voz do pastor

Homilia de Dom Francisco na Missa dos Santos Óleos, na Catedral de Santo Antonio

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Querido povo de Deus, religiosas, leigos e leigas

Dedicados funcionários dos diversos serviços

Benfeitores e voluntários

Queridos seminaristas

Diletos sacerdotes deste presbitério

O Espírito Santo paira sobre nossa igreja de Campo Maior soprando em todos os seus recantos. Matrizes, capelas, comunidades, pontos de missa. Pastorais, movimentos e serviços. “Somos muitos, mas formamos um só Corpo.” Esta celebração mostra a unidade e comunhão, vocação essencial da vida eclesial.

Novamente e por Graça de Deus, vós todos estais reunidos com o pastor diocesano, depois de um período de sede vacante. O bispo diocesano à frente do seu presbitério é sinal visível de unidade, de comunhão e de confirmação da fé.

Hoje me dirijo a cada presbítero e vos chamo de filho. Não o faria por simples laço de amizade, não o faria pela idade, também não o faria apenas pela proximidade a cada um de vós. Vos chamo de filhos pela autoridade recebida da Igreja Católica Apostólica Romana sob Pedro e com Pedro, autoridade também visível no pontificado de Sua Santidade, o papa Francisco. Se vós me deveis obediência e respeito, também devoto obediência e respeito ao Sumo Pontífice Francisco. Aqui está a beleza da Igreja de Jesus Cristo.

“Com a consagração episcopal o bispo recebe uma especial efusão do Espírito Santo que o configura de maneira especial a Cristo, Cabeça e Pastor. Ele é a única e permanente fonte da espiritualidade do bispo, santificado no sacramento com o dom do Espírito Santo.” (Ministério pastoral dos bispos, p.45)

Confesso que sou aprendiz no cotidiano, daquilo que já recebi por inteiro na ordenação episcopal. A graça do sacramento transborda no vaso, aquele mesmo feito pelas mãos do oleiro, porém de barro, de natureza finita.

O episcopado exige ser contemplado como um dom vindo do alto, direto do coração do Cristo e confirmado pela Igreja. Tenho consciência que a santidade deve ser marca do episcopado.

“O bispo terá sempre presente que a sua santidade não caia no subjetivismo, ela deve benefício para aqueles que foram confiados ao seu cuidado pastoral. A meta do bispo deve ser uma santidade sempre maior, a fim de que possa dizer com verdade: “fazei-vos meus imitadores como sou de Cristo.” (1cor 11,1)

Querido povo de Deus, amados seminaristas e querido e dedicado presbitério, quis iniciar esta mensagem expondo aquilo que preenche o meu coração, inunda a minha alma e põe sobre mim imensa responsabilidade. Não há da minha parte nenhuma lamentação pública, porém há uma clareza da missão episcopal que me honra quando inserido no colégio apostólico de Cristo e grande cobrança pessoal para que eu possa desempenhar este encargo divino para vós e convosco. Também desejei antes de vos exortar para que cumpram com fidelidade a vossa missão, vos dizer que também estou implicado convosco no dia a dia da vossa missão. O êxito de cada um, também será do bispo, o fracasso, por sua vez, também poderá ser do bispo diocesano. Formamos um só presbitério e no exercício sacerdotal, “em Cristo somos todos irmãos”.

“O presbitério é o lugar para o sacerdote obter os meios para sua santificação e formação. Ajudando e sendo ajudado a superar as limitações e as fraquezas próprias da natureza humana”. Para isso “ fará todos os esforços para evitar viver seu sacerdócio de um modo isolado e subjetivista.  A comunhão fraterna – de sacerdote a sacerdote – o calor da amizade, da assistência cordial, do acolhimento e da correção fraterna revelam a comunhão dos presbíteros entre si e com seu bispo”. (Pastores dabo vobis – São João Paulo II).

Diante dos desafios atuais, a amizade entre os membros do presbitério será essencial para impedir que sejamos tomados pelo ativismo, ansiedade e isolamento. A correção fraterna, feita com toda estima e verdade poderá evitar os equívocos na pastoral, na administração paroquial e o declínio da motivação para desempenhar o ministério de forma fecunda. “A fraternidade sacerdotal, sem se reduzir a um simples sentimento, se torna para os presbíteros uma memória existencial de Cristo e um testemunho apostólico de comunhão eclesial.

Diletos sacerdotes e amados irmãos, chamo vossa atenção para os textos litúrgicos desta solenidade. Há imperativos absolutamente claros. “Vós sois os sacerdotes do Senhor, chamados ministros de Deus”… Ungidos para anunciar a Boa Nova aos humildes e pobres, curar as feridas da alma, proclamar a libertação aos cativos, consolar os que choram, abrir os olhos dos cegos e anunciar a graça do Senhor.” Eis o ofício, repetido por Cristo ao ler Isaias na sinagoga de Nazaré.

Eu vos peço: não vos descuideis da oração, da recitação das horas do breviário, da visita silenciosa ao santíssimo sacramento, da reza do terço…

Eu vos peço: continueis perto dos mais pobres e humildes. Olhai para eles como protagonistas da história. Cidadãos. Ajudai-os para que formem a consciência democrática diante da realidade e que sejam agentes da mudança para virar a página do descrédito social.

Eu vos peço: ameis os mais pobres sem nunca deixar de atender espiritualmente aqueles mais destacados economicamente, eles podem vos ajudar a consolidar uma obra que gere um bem que sirva a todos.

Eu vos peço: estamos em um tempo de mudanças. Uma época de transformações, novos conceitos e novas atitudes. Sem abandonar o Magistério da Igreja, abri-vos sempre mais à escuta, ao diálogo…. Eviteis os partidarismos, mas não fiqueis indiferentes à política, como possibilidade de tornar o indivíduo, um cidadão. Para isso, é necessário que estejais atualizados…

Tendes muitas coisas a fazer e dentre elas coloqueis aos menos uns três livros de cultura geral ao alcance de vossas mãos. Estamos dispostos a correr atrás de recursos, com o Colégio de Consultores, para que não faltem ao presbitério as condições para estudos especializados dentro do discernimento pastoral.

Quero inserir neste contexto, uma alocução aos meus jovens seminaristas. Vós tendes o meu amor de pai e o zelo do pastor que toa conta das suas ovelhas. Rezo por vós para que persevereis. Também já os conheço pelo nome e um pouco mais.

Não desperdiceis a oportunidade da formação humana, espiritual, pastoral e acadêmica que os formadores e o seminário vos oferecem.  Nenhum de vós chegará ao sacerdócio pelo intelecto unicamente. O caminho sacerdotal é feito com a alma. Descubrais o sacerdócio, fraterno, oblativo e missionário. Sejais aplicados aos estudos, atenciosos e fraternos, orantes e zelosos pela liturgia.

Porém é singular o confronto com o eu interior (humanização) para encontrar-se no outro (solidarização).

Queridos padres, por fim, eu vos peço: mantenhais bem vivo este espírito de comunhão, de acolhida do novo e de doação da vida à igreja diocesana, a nossa jovem diocese de Campo Maior.

“Rompendo as barreiras do coração” irei à frente, gastando a minha vida convosco. “Impedere dies pro redemptio” – gastai vossa vida pela redenção. “Cada coisa tem seu tempo e sua hora debaixo do céu”, este é o nosso tempo, esta é a nossa hora. Vamos fazer acontecer! Deus conosco sempre. A Ele toda honra, glória e louvor.

Aos leigos e leigas, no ano do laicato – repito com fé profunda nas palavras do próprio Cristo: vós sois sal da terra e luz do mundo”. Sejais igreja na Igreja e também igreja na sociedade. Coragem! Rezai e realizai a mudança na sociedade. Permaneçais em comunhão eclesial conosco. Somos um corpo, a Igreja que quer a cada dia ser alcançada pela graça que santifica.

Às religiosas, nosso apreço. Vós sois parte desta história eclesial de Campo Maior. Quanto bem foi feito por vós e quanto ainda podeis realizar. A unidade com a Igreja é própria da Vida Consagrada e Religiosa. Permaneçais conosco. Nossa diocese está aberta para acolher outras expressões e carismas de vida consagrada.

A todos, vos peço. Rezai por mim para que eu cumpra com fidelidade e felicidade este encargo divino: santificar, ensinar e governar. Rezai por nós, pela nossa fidelidade sacerdotal.

+Francisco de Assis Gabriel, CSsR

Bispo diocesano de Campo Maior

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